Caros!
Será grande a alegria em ver que um numero importante de vcs lendo o texto abaixo, de minha autoria. Óbvio que tal alegria não é esperada, vez que NADA dos dias atuais contribui para que dediquemos mais do que 15 segundos a algum post, a não ser que esse post fale sobre algo que nos interesse muito (no momento - e aqui as farpas críticas são reais mesmo - temos dois: BBB e um "estupro" em que, pelo pouco que sei, os envolvidos estão "de boa" e a tal de Luiza do Canadá).
Digo "nada", pois os tempos são de complexidade, de tensão, de insatisfação, de insegurança... no dizer de Zygmunt Bauman, de "liquidez", ou seja, nenhuma ou raríssimas relações sociais são sólidas, "confiáveis" ... duráveis. Ora, basta projetar o pensamento em nossos planos para um emprego, é possível imaginar, com um confortável grau de certeza, qual profissão desempenharemos daqui, sei lá...20 anos? Ou então, é possível acreditar que uma relação amorosa será duradoura o suficiente para, tranquilamente, adotarmos a comunhão total de bens (universal) quando do casamento? Nesse último exemplo podemos pensar que a alguns (vários) anos a grande maioria dos casamentos era em regime de comunhão universal... hoje predomina a comunhão parcial com forte tendência à separação total.
Aos que permanecem na leitura... meus sinceros agradecimentos. Pode parecer uma bajulação... e no fundo o é. Mas que me resta senão bajular pessoas que conseguem transcender limitadores sociais que estão arraigados nas profundezas psíquicas da massa? Sim... rendo sinceramente agradecimentos por isso. Bom... continuando o raciocínio... nesse campo de incerteza, de liquidez, resta a questão: "o que fazer quando a compleição física é habitada por um espírito que não se conforma com as "injustiças do mundo"?". Vejamos algumas: a mais atual, para começar, S.O.P.A. Certamente os que chegaram até aqui com a leitura sabem muito bem do que estamos falando, sendo desnecessários maiores comentários; eleições norte-americanas - tem candidato defendendo cada ideia... parece que estamos na Europa em 1935...; o surgimento de um novo movimento social, que ocorreu ano passado, os "indignados"; Irã e talvez o início de uma nova guerra (que segundo alguns pode culminar em uma terceira guerra mundial - para os amigos nerds amantes de FPS basta lembrar da história base do BF2).
Estamos diante de uma quantidade imensa de assuntos importantíssimos, assuntos que são nada mais, nada menos, do que "determinantes históricas". É muito simples imaginar os livros de historia de, sei lá, 2050 relatando o período compreendido entre 2010 e 2013 como um período de ruptura e revolução (claro que se existirem livros, ou pelos avanços da tecnologia ou pelo fim da humanidade mesmo... as duas opções são válidas).
E o que fazemos? "Niente"... uma inércia inquietante, angustiante... algo que resulta fisicamente em uma sensação de aperto na região toráxica... um sufoco. Trata-se de uma situação de exceção... anatomicamente falando...
Para tanto... precisamos de válvulas de escape... de "fugas". Nesse momento pessoal entram no palco dessa nossa admirável tragédia a menina do BBB e o seu nobre parceiro junto da querida e simpática Luiza do Canadá. Todos os problemas são resolvidos... todas as angustias apaziguadas. Ora.... a Luiza até voltou do Canadá!!! O casal ali do BBB está em paz! (acho, sei lá... não assisto o troço e estou opinando com base em informações acidentais que me chegam) Ficarão ricos posando para revistas pornográficas e dando entrevistas no multi show dada o seu "campo de atuação social".
Mas... para os "românticos", no dizer de um grande amigo meu (que está em São Paulo e não no Canadá), e uma forma de qualificar um "romântico" pode ser o fato de essa pessoa ter "sobrevivido" à tarefa árdua de ter chegado até a presente altura em sua leitura, isso não acalma nada... exponencialmente muito pelo contrário! PIORA... nos deixa mais indignados... mais inquietos... os resultados fisiológicos da situação psíquica não se restringem ao tórax, avançam pela região abdominal em uma sensação de ardência... resultado do aumento da atividade do aparelho digestivo... é o ápice, o supra sumo, da ansiedade, da tensão! Os efeitos de cargas e cargas de adrenalina são muito claros... pupilas dilatadas... talvez um suor na palma das mãos!!!
Não... isso não é confortável... isso é uma tortura... e tortura é crime pelo que dizem por aí. Mas como encarcerar uma sociedade inteira de torturadores sendo que nem sabem que estão torturando alguém com sua ignorância? Como processar e condenar essa massa de delinquentes da racionalidade se não existe um nome... não existe uma face... é uma coletividade, um corpo altamente difuso, nebuloso, intocável, mas que, por seus atos, nos agride... afeta... fere...
Sim platéia romântica (ah... isso no sentido não amoroso do termo, e sim, como forma de ilustrar as pessoas que encaram a vida sob um prisma idealista, que acreditam e, com base nessa crença - crença é o que nos resta pelo jeito - observam a sociedade e a interpretam) ... não se trata de uma comédia... e sim de uma tragédia!!!
O que fazer? Como superar isso?
Uma alternativa bem interessante é ler Thoreau ou Jack London e cair na "Natureza Selvagem"... fugir dessa babilônia de merda... deixar que "Sodoma e Gomorra" ardam em chamas... Seria maravilhoso... ir para a natureza e esquecer disso tudo, viver com paz de espírito... mas, restam cantos intocados ou inacessíveis? Em que lugar estaremos absolutamente longe da sociedade hoje? São raríssimos esses rincões, vez que parcela importante do mundo está, no mínimo, sob a mira de algum satélite ou coisa do gênero. A sociedade, esse cancro, não nos permite fugir. É impossível romper com o "contrato social"... contrato que nunca assinamos... mas que nos regula, que nos responsabiliza. Podemos pensar na questão da vida em natureza como impossível com base em elementos sociais mais palpáveis e válidos do que a mera exposição a um satélite: de longe estamos condicionados às "beneces" da vida moderna... nossos instintos de sobrevivência estão embotados, perdidos. Não temos, hoje, condições confortáveis de sobrevivência na "natureza selvagem"... somos "viciados na sociedade", essa droga que antes ajudasse com algo, antes se mobilizasse, antes fizesse as pessoas REALMENTE felizes ao invés desses parcos flâmulos de alegria besta e entorpecedora (BBB e Luiza...).
É pessoal... a clima está deprimente. Tenho de admitir isso, me sinto insatisfeito com as coisas. Não quero quantidade de fatores de satisfação (internet, roupas, viagens.. enfim... possibilidades de realização pessoal por meio de bens, do consumo... filosofia amplamente divulgada, de forma direta e indireta, pelos amados pesquisadores, pensadores e operadores da Publicidade e Propaganda e Marketing) e sim qualidade... e noto que qualidade só existem em um lugar: pessoas.
Sim... é contraditório... pensar em fugir da sociedade e depois defender que a felicidade está nas pessoas. Simples reflexo dos tempos em que vivemos... confusão, liquidez...
Pensando... e o faço enquanto digito isso aqui... creio que a alternativa mais sábia sejam as pessoas. Christopher Mccandless, ou Alexander Supertramp, em momento de epifania, quando de sua experiência na natureza, escrevera "the happiness is only real when shared" ... ou seja... precisamos dos outros, precisamos da sociedade para sermos felizes. Parece muito uma relação de irmãos em que a maioria das experiências são de conflito, briga - digo isso com base principalmente na minha relação com minha querida mana Taís - mas no fundo ambos se amam, querem muito o bem do outro...
Acho que isso acalma um pouco a sensação de indignação... de inquietação... há um pacto tácito de aceitação ... algo que tangencia os limites da "sabedoria suprema"... algo que somente por seus "respingos" acalma... ilumina.
Sim... precisamos uns dos outros... independente de admirarem ou odiarem a Luiza do Canadá... a porra do BBB (sim eu odeio isso : P) e a insanidade que permeia nossos políticos e economistas. Por isso meus agradecimentos e pedidos de desculpas à sociedade... por tê-la acusado, por tê-la, talvez, ofendido. Foi um momento de instabilidade, de insegurança... de liquidez... tal como você, sociedade, o é.
Os problemas não possuem solução. Vamos continuar vendo essas "falhas da Matrix" tipo Luiza e Canadá ocorrerem volta e meia em nossa querida ágora virtual. Pessoas embebidas pela curiosidade, reflexo de nós psíquicos não resolvidos, espumando atenção, tais como cães raivosos, a cada Paredão... a grande lição talvez seja algo bem no sentido zen budista mesmo... ver tudo isso, entender, e não se deixar afetar.
Claro que, isso não é "conformação" ... é "compreensão"... conformado, particularmente, nunca estarei... dia após dia penso... e sei que muitas outras pessoas também o fazem... em soluções... em vias... e, se algum dia as atingirmos, não hesitaremos em as concretizar. No entanto, até lá, resta essa condição de espectador / ator... em uma sociedade amada / odiada... parte verdade, parte mentira... que, tal como a natureza é constituída por opostos conflitantes e complementares, constitui uma complexa sinfonia dada somente aos mais sábios compreender!
^^
P.s.:
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