
Nobre platéia! Gostaria de refletir um pouco hoje sobre uma notícia que rolou a alguns dias:
Os remédios ansiolíticos, usados para controlar a ansiedade e a tensão, lideram um ranking de drogas controladas divulgado em janeiro por um serviço da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). fonte
Triste situação. Situação esta que revela alguns aspectos de nossa "existência teatral", a começar pelo mais óbvio: "a vida, hoje, não é algo tranquilo."
Bom, podemos interpretar "tranquilidade" como uma condição existencial muito próxima de uma noção de "equilíbrio". Ora, uma vida tranquila, acredito, não quer dizer necessariamente uma condição "parada" ou até mesmo "pacata"; é, antes sim, uma existência permeada por diversas sensações... umas mais estimulantes, outras menos, seno que o que define o caráter "tranquilo" é justamente a dosagem dessas sensações. Se uma pessoa vivencia situações emocionantes e situações mais introspectivas em doses equivalentes podemos dizer que essa pessoa vive de forma tranquila.
Óbvio que não é o caso de nossos tempos. Vivemos em condições angustiantes, correndo, sendo pressionados, bombardeados por informações, estímulos, sensações. A necessidade de se adotar uma infinitude de posturas cobradas pela querida "societatis"... posturas estas muitas vezes contrárias aquilo que queremos REALMENTE fazer.
Certa vez alguém me falou, ou li em algum lugar, não lembro, que uma pessoa hoje é atingida diariamente por número equivalente de anúncios publicitários veiculados em um ano na década de 40 ou 60... Tamanha carga de informações, vendendo padrões de vida, comportamento e até mesmo valores (basta pensar por exemplo nas bandejas do Mc Donald's, que vêm com um impresso todo "interativo", carregado de mensagens subliminares que fazem com que qualquer "romântico" crítico tenha ataques diante de tamanha complexidade).
Nessa peça parecemos Forrest Gump ao som de um incômodo e opressor "Run Forrest! Run!" Ordenado a todo fôlego por nossa querida e amada Societatis! (acho que estou bemmm indignado com ela hoje... : P) é algo cadenciado: trabalhe, compre! Se não tiver dinheiro, temos crédito... mas ai temos de pagar o crédito... trabalhamos mais... estudamos não mais pelo simples prazer de estudar, e sim motivados apenas por uma única força "ganhar mais... ter mais" ... e o SER?!!!!! Fica onde nessa coisa!
Nessa peça parecemos Forrest Gump ao som de um incômodo e opressor "Run Forrest! Run!" Ordenado a todo fôlego por nossa querida e amada Societatis! (acho que estou bemmm indignado com ela hoje... : P) é algo cadenciado: trabalhe, compre! Se não tiver dinheiro, temos crédito... mas ai temos de pagar o crédito... trabalhamos mais... estudamos não mais pelo simples prazer de estudar, e sim motivados apenas por uma única força "ganhar mais... ter mais" ... e o SER?!!!!! Fica onde nessa coisa!
Nossa peça acaba de descambar para um desabafo... eu observo algumas coisas quando me encontro a caminho do trabalho: propagandas e suas disposições tanto de design quanto a mensagem que veiculam... as pessoas!!! Ah... as pessoas! Parece que falta algo... parece que estamos cada dia mais afastados de um sentimento "humano", tão afastados que sequer temos a capacidade de definir o que "humano" seria, tamanha confusão em que nossos conceitos, valores e crenças estão imersos.
E qual a solução? Qual o escape?
No divã de algum psiquiatra ou psicólogo... ou mesmo em uma cadeira, dependendo do profissional escolhido, as pessoas buscam uma saída. De forma irresponsável - mea opinio pessoas! - a solução é posta à mesa na velocidade em que as coisas fluem fora do consultório: medicação.
Claro... os remédios desempenham um papel importante no tratamento de alguns casos, sendo um instrumento muito útil para AUXILIAR as pessoas. Agora queridos espectadores: a medicação é meio ou fim em si mesmo? Ora, da forma como as coisas andam, parece que perdemos a confiança em nossa capacidade de superação, em nossa capacidade de superar os problemas, de sobreviver nessa confusão que nos embriaga de estímulos e idéias, sendo impossível traçar contornos sólidos do que "realmente somos... realmente queremos". O tratamento prescrito é visto como a solução final, o ápice instrumental para a pessoa se recuperar. Não!!! Isso é um absurdo, e lógico que é um dos maiores absurdos do sistema econômico em que vivemos: a indústria farmacêutica é uma das que mais LUCRA:
No divã de algum psiquiatra ou psicólogo... ou mesmo em uma cadeira, dependendo do profissional escolhido, as pessoas buscam uma saída. De forma irresponsável - mea opinio pessoas! - a solução é posta à mesa na velocidade em que as coisas fluem fora do consultório: medicação.
Claro... os remédios desempenham um papel importante no tratamento de alguns casos, sendo um instrumento muito útil para AUXILIAR as pessoas. Agora queridos espectadores: a medicação é meio ou fim em si mesmo? Ora, da forma como as coisas andam, parece que perdemos a confiança em nossa capacidade de superação, em nossa capacidade de superar os problemas, de sobreviver nessa confusão que nos embriaga de estímulos e idéias, sendo impossível traçar contornos sólidos do que "realmente somos... realmente queremos". O tratamento prescrito é visto como a solução final, o ápice instrumental para a pessoa se recuperar. Não!!! Isso é um absurdo, e lógico que é um dos maiores absurdos do sistema econômico em que vivemos: a indústria farmacêutica é uma das que mais LUCRA:
Como qualquer outro setor da economia, a indústria farmacêutica visa o lucro. Nada de errado com isso, e tem dado certo: em 2008, ela movimentou US$ 725 bilhões - o Brasil faturou US$ 12 bilhões. Só a fabricação da aspirina movimenta US$ 700 bilhões por ano. Seu princípio ativo, o ácido acetilsalicílico, é considerado um dos produtos mais bem-sucedidos da história do capitalismo. fonte
Além de revelar essa realidade, mais objetiva, temos um outro ponto que é importante: o imediatismo de nossa sociedade.
"Tenho um problema, qual a solução mais rápida?" Esse é o pensamento que temos no momento em que nos damos conta de que estamos "doentes". Até ai, podemos até compreender. O problema, está quando esse problema não é real, é algo criado, ou então, é mero reflexo da amada "societatis". O que é feito então? Tratamos o indivíduo, e da pior forma, qual seja, remédios, remédios e mais remédios. As miligramas aumentam com o tempo, stress vira depressão e assim vamos nessa trágica peça.
Ocorre que o problema não está nos atores, e sim, na peça toda. Obviamente, tratar os personagens de forma individualizada somente produzirá um resultado, qual seja: resultado algum!!!! Ora, os tempos são de insegurança, liquidez.. bla bla bla - como encenado em outro post.
Caros... eu passei por um período a alguns anos em que tive a oportunidade de vivenciar essa questão com a medicação. Fiz a opção - uma das poucas opções sábias que devo ter tomado na vida : P~~ - de me recuperar sem medicação, a qual havia sido devidamente prescrita e comprada por meus pais. Acho que as coisas fluiram bem ... sem remédios.
Outra experiência interessante que vivencio é o fato de eu ser alérgico a todo tipo de analgésico e antitérmico... todo! Logo, dor de cabeça, dói. Para febre, somente um banho e cama. Eu encaro isso como se fosse uma "benção"... tendo em vista algumas pessoas que conheço que possuem uma caixa de Neosaldina em cada canto que vão.
Assim, vivenciamos mais um aspecto de nosso espetáculo. Esse excesso de confiança no instrumento utilizado para a solução do problema... tanta confiança que acabamos esquecendo de nos CURAR... ficamos viciados em substâncias e esse vício revela um padrão de vida decadente... totalmente na contra-mão do que somos em termos biológicos e metafísicos.
Admirável platéia, boicotemos essas mentiras, passemos a semear verdades para, ao fim, colher a verdadeira felicidade!!!!
^^
