quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Remedium Societatis


Nobre platéia! Gostaria de refletir um pouco hoje sobre uma notícia que rolou a alguns dias: 

Os remédios ansiolíticos, usados para controlar a ansiedade e a tensão, lideram um ranking de drogas controladas divulgado em janeiro por um serviço da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). fonte

Triste situação. Situação esta que revela alguns aspectos de nossa "existência teatral", a começar pelo mais óbvio: "a vida, hoje, não é algo tranquilo."  

Bom, podemos interpretar "tranquilidade" como uma condição existencial muito próxima de uma noção de "equilíbrio". Ora, uma vida tranquila, acredito, não quer dizer necessariamente uma condição "parada" ou até mesmo "pacata"; é, antes sim, uma existência permeada por diversas sensações... umas mais estimulantes, outras menos, seno que o que define o caráter "tranquilo" é justamente a dosagem dessas sensações. Se uma pessoa vivencia situações emocionantes e situações mais introspectivas em doses equivalentes podemos dizer que essa pessoa vive de forma tranquila.

Óbvio que não é o caso de nossos tempos. Vivemos em condições angustiantes, correndo, sendo pressionados, bombardeados por informações, estímulos, sensações. A necessidade de se adotar uma infinitude de posturas cobradas pela querida "societatis"... posturas estas muitas vezes contrárias aquilo que queremos REALMENTE fazer. 

Certa vez alguém me falou, ou li em algum lugar, não lembro, que uma pessoa hoje é atingida diariamente por número equivalente de anúncios publicitários veiculados em um ano na década de 40 ou 60... Tamanha carga de informações, vendendo padrões de vida, comportamento e até mesmo valores (basta pensar por exemplo nas bandejas do Mc Donald's, que vêm com um impresso todo "interativo", carregado de mensagens subliminares que fazem com que qualquer "romântico" crítico tenha ataques diante de tamanha complexidade).

Nessa peça parecemos Forrest Gump ao som de um incômodo e opressor "Run Forrest! Run!" Ordenado a todo fôlego por nossa querida e amada Societatis! (acho que estou bemmm indignado com ela hoje... : P) é algo cadenciado: trabalhe, compre! Se não tiver dinheiro, temos crédito... mas ai temos de pagar o crédito... trabalhamos mais... estudamos não mais pelo simples prazer de estudar, e sim motivados apenas por uma única força "ganhar mais... ter mais" ... e o SER?!!!!! Fica onde nessa coisa! 

Nossa peça acaba de descambar para um desabafo... eu observo algumas coisas quando me encontro a caminho do trabalho: propagandas e suas disposições tanto de design quanto a mensagem que veiculam... as pessoas!!! Ah... as pessoas! Parece que falta algo... parece que estamos cada dia mais afastados de um sentimento "humano", tão afastados que sequer temos a capacidade de definir o que "humano" seria, tamanha confusão em que nossos conceitos, valores e crenças estão imersos.

E qual a solução? Qual o escape?

No divã de algum psiquiatra ou psicólogo... ou mesmo em uma cadeira, dependendo do profissional escolhido, as pessoas buscam uma saída. De forma irresponsável - mea opinio pessoas! - a solução é posta à mesa na velocidade em que as coisas fluem fora do consultório: medicação.

Claro... os remédios desempenham um papel importante no tratamento de alguns casos, sendo um instrumento muito útil para AUXILIAR as pessoas. Agora queridos espectadores: a medicação é meio ou fim em si mesmo? Ora, da forma como as coisas andam, parece que perdemos a confiança em nossa capacidade de superação, em nossa capacidade de superar os problemas, de sobreviver nessa confusão que nos embriaga de estímulos e idéias, sendo impossível traçar contornos sólidos do que "realmente somos... realmente queremos". O tratamento  prescrito é visto como a solução final, o ápice instrumental para a pessoa se recuperar. Não!!! Isso é um absurdo, e lógico que é um dos maiores absurdos do sistema econômico em que vivemos: a indústria farmacêutica é uma das que mais LUCRA: 

Como qualquer outro setor da economia, a indústria farmacêutica visa o lucro. Nada de errado com isso, e tem dado certo: em 2008, ela movimentou US$ 725 bilhões - o Brasil faturou US$ 12 bilhões. Só a fabricação da aspirina movimenta US$ 700 bilhões por ano. Seu princípio ativo, o ácido acetilsalicílico, é considerado um dos produtos mais bem-sucedidos da história do capitalismo. fonte

Além de revelar essa realidade, mais objetiva, temos um outro ponto que é importante: o imediatismo de nossa sociedade. 
"Tenho um problema, qual a solução mais rápida?" Esse é o pensamento que temos no momento em que nos damos conta de que estamos "doentes". Até ai, podemos até compreender. O problema, está quando esse problema não é real, é algo criado, ou então, é mero reflexo da amada "societatis". O que é feito então? Tratamos o indivíduo, e da pior forma, qual seja, remédios, remédios e mais remédios. As miligramas aumentam com o tempo, stress vira depressão e assim vamos nessa trágica peça.

Ocorre que o problema não está nos atores, e sim, na peça toda. Obviamente, tratar os personagens de forma individualizada somente produzirá um resultado, qual seja: resultado algum!!!! Ora, os tempos são de insegurança, liquidez.. bla bla bla - como encenado em outro post.

Caros... eu passei por um período a alguns anos em que tive a oportunidade de vivenciar essa questão com a medicação. Fiz a opção - uma das poucas opções sábias que devo ter tomado na vida : P~~ - de me recuperar sem medicação, a qual havia sido devidamente prescrita e comprada por meus pais. Acho que as coisas fluiram bem ... sem remédios.

Outra experiência interessante que vivencio é o fato de eu ser alérgico a todo tipo de analgésico e antitérmico... todo! Logo, dor de cabeça, dói. Para febre, somente um banho e cama. Eu encaro isso como se fosse uma "benção"... tendo em vista algumas pessoas que conheço que possuem uma caixa de Neosaldina em cada canto que vão.

Assim, vivenciamos mais um aspecto de nosso espetáculo. Esse excesso de confiança no instrumento utilizado para a solução do problema... tanta confiança que acabamos esquecendo de nos CURAR... ficamos viciados em substâncias e esse vício revela um padrão de vida decadente... totalmente na contra-mão do que somos em termos biológicos e metafísicos.

Admirável platéia, boicotemos essas mentiras, passemos a semear verdades para, ao fim, colher a verdadeira felicidade!!!!

^^

domingo, 22 de janeiro de 2012

Nuvens de Guerra... ou melhor, uma Tempestade!

Saudações a esta magnífica plateia!!!

Hoje teremos em nosso palco uma história que mistura suspense, ação e aventura... remetam suas mentes à produções hollywoodianas do tipo "Rambo", com todo o heroísmo e glória que cargas e cargas de testosterona bélica podem propiciar!!!

Aos que não "curtem" esses filmes (eu, particularmente, não gosto mais) adianto que a peça de hoje possui mais um elemento interessante: drama.


Bom, tudo começa com um senhor judeu da cidade de Ulm, na Alemanha e seu pensamento sobre as forças armadas: 
"A pior das instituições gregárias se intitula exército. Eu o odeio. Se um homem puder sentir qualquer prazer em desfilar aos sons de música, eu desprezo este homem... Não  merece um cérebro humano, já que a medula espinhal o satisfaz. Deveríamos fazer desaparecer o mais depressa possível este câncer da civilização. Detesto com todas as forças o heroísmo obrigatório, a violência gratuita e o nacionalismo débil. A guerra é a coisa mas desprezível que existe. Preferiria deixar-me assassinar a participar desta ignomínia."

Essa é a primeira cena pessoas. Começamos nossa apresentação com isso. Em seguida, o seguinte: 

O link acima conduz o nobre espectador a uma de vasto número de notícias que mostram claramente a formação de (mais) um palco de guerra no Oriente Médio. Muitos fatores servem de lastro para tanto, por exemplo, 80% das importações de gás natural liquefeito do Reino Unido passam pelo tal Estreito de Ormuz... pensem que o governo Americano já se posicionou delimitando as causas do conjecturado conflito: 
No domingo (8), o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, afirmou que as autoridades americanas não deixariam o Irã desenvolver armas nucleares ou bloquear o estreito de Hormuz, área chave para o transporte do petróleo do Oriente Médio.
"Para nós, a linha vermelha para o Irã é não desenvolver uma arma nuclear, bem como bloquear o estreito de Ormuz", defendeu, durante entrevista à emissora de TV americana CBS. "Eles precisam saber disso: se eles derem esse passo, eles serão impedidos".

A história seria pacata até ai se não fosse um "pequeno" (o termo pode ser entendido em todos os sentidos, inclusive no cômico... pra descontrair um pouco : P) detalhe: China.
Ocorre que nossos amigos comedores de hambúrguer anunciaram uma mudança no posicionamento de alguns elementos bélicos, dando ênfase a ninguém menos que a China. Não demorou e sobreveio a sino-indignação: "Esperamos que os Estados Unidos fluam com a maré da época, (achei isso genial) e lidem com a China e os militares chineses de uma maneira racional e objetiva, que sejam cuidadosos em suas palavras e ações e façam o que for benéfico para o desenvolvimento das relações entre os dois países e suas forças armadas", afirmou o ministro."

Caríssimos! Um último elemento para elevar a tensão: 

Creio não precisar descrever mas detalhes da peça que se desenrola diante de vossos perplexos (ou não) olhos. A situação é tensa.

Talvez isso seja uma "noia" afeta a alguém que tenta ver lógica em eventos humanos (é... eu tento), e, percebendo que há uma lógica nestes fatos (Irã em crise com EUA, EUA em crise com China + histórico de "resolução de problemas" dos EUA = guerra), não há como não ficar cogitando coisas. Do pouco conhecimento de história que tenho, lembro muito bem de perceber que todo "grande império" cai guerreando, cai em função de alguma "grande derrota bélica".

Parece "excêntrico", estranho ou até exagerado falar em "guerra", não? O assunto talvez não não seja dos mais cômodos, confortáveis - tipo corrupção: por mais que seja um problema imenso, dá gosto falar sobre, há até uma adrenalina, diferente desse assunto de "guerra"... que lembra muito comida de hospital, sei lá... é algo bem estranho de se falar.

A grande questão que fica é: "que que temos nós, meros atores tupiniquins, a ver com tudo isso!?"

Não sei. Muita coisa pode ter de importância, ou nada. Dependerá se nosso país resolver encampar alguma posição heroica e se embrenhe no fogo cruzado - caso em que eu estaria ferrado, pois servi no NPOR e, segundo dizem, sou Aspirante-à-Oficial da reserva (lembra do "aspira" do Tropa de Elite?... é algo do tipo). - ou, o Brasil fique de boa e deixe a galera se carnear na guerra, enquanto desenvolvemos uma economia autossuficiente, com desenvolvimento de tecnologias próprias e tal. Pensando bem... (¬¬ algum vizinho SEM NOÇÃO acaba de ligar o som em níveis estratosféricos com a música "Sou foda na cama eu te esculacho...Na sala ou no quarto...No beco ou no carro ...", versão sertaneja... diuna!!!!!)... (desligou)... onde estava... ah!... Pensando bem, a ideia dessa guerra pode ser bem utilizada pelo Brasil.... mas aí retomamos ao pensamento do senhorzinho lá de Ulm e aí as coisas descambam pra outra linha...

Qual o preço de uma... UMA... vida...? Românticos acreditam que ela não tem preço (tipo... Master Card... : P) .. como me filio a essa forma de ver a vida, devo confessar que vejo essa coisa toda como uma perfeita idiotisse!!! Um absurdo levado a cabo por senhores bem vestidos e com muito dinheiro no bolso... e o cômico absurdo: deram um prêmio Nobel da Paz pro cara!!!! Porco sacramenha!!! Conheço muita gente anônima que mereceria o prêmio ao invés do obaminha...

Bom... declaramos uma guerra às restrições do S.O.P.A. e P.I.P.A. Talvez devêssemos declarar uma guerra, antes, á própria guerra. O mesmo senhorzinho de Ulm disse certa feita: "n
ão sei como será a Terceira Guerra Mundial, mas poderei vos dizer como será a Quarta: com paus e pedras..."

Absurdos... uma tragédia que, de tão ilógica pode ser confundida com uma comédia! Comédia, pois a galerinha que tá fazendo isso segue bem o "ethos" ilustrado pelo vídeo abaixo... Lá temos consumistas e materialistas inveterados, aqui, uma ignorância generalizada, expressa pela adesão massiva à subculturas geradas como dejeto econômico-educacional, àqueles que concebem a felicidade como resultado da superação de uma série de hábitos... é querida plateia, tragédia... trata-se de uma tragédia!

 

Ahhhh... não falamos em Israel... Síria... Primavera Árabe... Rússia... teorias da conspiração...  etc etc etc... em suma, pode-se enlouquecer - pode-se não, enlouquece-se - refletindo sobre isso. E hoje é domingo, de sol - um belo dia. Gostaria de falar sobre coisas, sei lá, mais agradáveis. Caros... "I have a dream", e é um "dream" bonito, legal... bem de boa mesmo, certamente bem assemelhado aos "dreams" de vocês... 

Mas... parece que nossa querida "societatis" não compartilha do mesmo. Pena, seria tão legal!

Meu pai acaba de entrar em meu quarto... conversamos um pouco sobre o assunto aqui tratado. Ele fez uma colocação que vem bem a calhar: "com tanta coisa pra se preocupar, com tanta coisa por desenvolver... não dá pra entender como os caras fazem isso!"

Grande Sr. Claudemir! Com sua percepção de pequeno empreendedor consegue ilustrar com fidelidade um defeito econômico da guerra: ela é cara, em todos os sentidos, tanto em custos materiais como humanos. Há quem diga o oposto, que a  guerra "renova a economia"... francamente... não creio ser o caso, ou melhor, talvez até seja, até hajam alguns "avanços", mas não acredito que eles possam ser superiores a avanços conquistados por uma postura pacífica e racional...

Complicado. Ao que parece, 2012 realmente será um ano "sui generis"!!!

^^

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Prelúdio ou o primeiro "post sério": BBB e Luiza do Canadá

Caros!

Será grande a alegria em ver que um numero importante de vcs lendo o texto abaixo, de minha autoria. Óbvio que tal alegria não é esperada, vez que NADA dos dias atuais contribui para que dediquemos mais do que 15 segundos a algum post, a não ser que esse post fale sobre algo que nos interesse muito (no momento - e aqui as farpas críticas são reais mesmo - temos dois: BBB e um "estupro" em que, pelo pouco que sei, os envolvidos estão "de boa" e a tal de Luiza do Canadá).
Digo "nada", pois os tempos são de complexidade, de tensão, de insatisfação, de insegurança... no dizer de Zygmunt Bauman, de "liquidez", ou seja, nenhuma ou raríssimas relações sociais são sólidas, "confiáveis" ... duráveis. Ora, basta projetar o pensamento em nossos planos para um emprego, é possível imaginar, com um confortável grau de certeza, qual profissão desempenharemos daqui, sei lá...20 anos? Ou então, é possível acreditar que uma relação amorosa será duradoura o suficiente para, tranquilamente, adotarmos a comunhão total de bens (universal) quando do casamento? Nesse último exemplo podemos pensar que a alguns (vários) anos a grande maioria dos casamentos era em regime de comunhão universal... hoje predomina a comunhão parcial com forte tendência à separação total.
Aos que permanecem na leitura... meus sinceros agradecimentos. Pode parecer uma bajulação... e no fundo o é. Mas que me resta senão bajular pessoas que conseguem transcender limitadores sociais que estão arraigados nas profundezas psíquicas da massa? Sim... rendo sinceramente agradecimentos por isso. Bom... continuando o raciocínio... nesse campo de incerteza, de liquidez, resta a questão: "o que fazer quando a compleição física é habitada por um espírito que não se conforma com as "injustiças do mundo"?". Vejamos algumas: a mais atual, para começar, S.O.P.A. Certamente os que chegaram até aqui com a leitura sabem muito bem do que estamos falando, sendo desnecessários maiores comentários; eleições norte-americanas - tem candidato defendendo cada ideia... parece que estamos na Europa em 1935...; o surgimento de um novo movimento social, que ocorreu ano passado, os "indignados"; Irã e talvez o início de uma nova guerra (que segundo alguns pode culminar em uma terceira guerra mundial - para os amigos nerds amantes de FPS basta lembrar da história base do BF2).
Estamos diante de uma quantidade imensa de assuntos importantíssimos, assuntos que são nada mais, nada menos, do que "determinantes históricas". É muito simples imaginar os livros de historia de, sei lá, 2050 relatando o período compreendido entre 2010 e 2013 como um período de ruptura e revolução (claro que se existirem livros, ou pelos avanços da tecnologia ou pelo fim da humanidade mesmo... as duas opções são válidas).
E o que fazemos? "Niente"... uma inércia inquietante, angustiante... algo que resulta fisicamente em uma sensação de aperto na região toráxica... um sufoco. Trata-se de uma situação de exceção... anatomicamente falando... 
Para tanto... precisamos de válvulas de escape... de "fugas". Nesse momento pessoal entram no palco dessa nossa admirável tragédia a menina do BBB e o seu nobre parceiro junto da querida e simpática Luiza do Canadá. Todos os problemas são resolvidos... todas as angustias apaziguadas. Ora.... a Luiza até voltou do Canadá!!! O casal ali do BBB está em paz! (acho, sei lá... não assisto o troço e estou opinando com base em informações acidentais que me chegam) Ficarão ricos posando para revistas pornográficas e dando entrevistas no multi show dada o seu "campo de atuação social".
Mas... para os "românticos", no dizer de um grande amigo meu (que está em São Paulo e não no Canadá), e uma forma de qualificar um "romântico" pode ser o fato de essa pessoa ter "sobrevivido" à tarefa árdua de ter chegado até a presente altura em sua leitura, isso não acalma nada... exponencialmente muito pelo contrário! PIORA... nos deixa mais indignados... mais inquietos... os resultados fisiológicos da situação psíquica não se restringem ao tórax, avançam pela região abdominal em uma sensação de ardência... resultado do aumento da atividade do aparelho digestivo... é o ápice, o supra sumo, da ansiedade, da tensão! Os efeitos de cargas e cargas de adrenalina são muito claros... pupilas dilatadas... talvez um suor na palma das mãos!!! 
Não... isso não é confortável... isso é uma tortura... e tortura é crime pelo que dizem por aí. Mas como encarcerar uma sociedade inteira de torturadores sendo que nem sabem que estão torturando alguém com sua ignorância? Como processar e condenar essa massa de delinquentes da racionalidade se não existe um nome... não existe uma face... é uma coletividade, um corpo altamente difuso, nebuloso, intocável, mas que, por seus atos, nos agride... afeta... fere...
Sim platéia romântica (ah... isso no sentido não amoroso do termo, e sim, como forma de ilustrar as pessoas que encaram a vida sob um prisma idealista, que acreditam e, com base nessa crença - crença é o que nos resta pelo jeito - observam a sociedade e a interpretam) ... não se trata de uma comédia... e sim de uma tragédia!!!

O que fazer? Como superar isso?

Uma alternativa bem interessante é ler Thoreau ou Jack London e cair na "Natureza Selvagem"... fugir dessa babilônia de merda... deixar que "Sodoma e Gomorra" ardam em chamas... Seria maravilhoso... ir para a natureza e esquecer disso tudo, viver com paz de espírito... mas, restam cantos intocados ou inacessíveis? Em que lugar estaremos absolutamente longe da sociedade hoje? São raríssimos esses rincões, vez que parcela importante do mundo está, no mínimo, sob a mira de algum satélite ou coisa do gênero. A sociedade, esse cancro, não nos permite fugir. É impossível romper com o "contrato social"... contrato que nunca assinamos... mas que nos regula, que nos responsabiliza. Podemos pensar na questão da vida em natureza como impossível com base em elementos sociais mais palpáveis e válidos do que a mera exposição a um satélite: de longe estamos condicionados às "beneces" da vida moderna... nossos instintos de sobrevivência estão embotados, perdidos. Não temos, hoje, condições confortáveis de sobrevivência na "natureza selvagem"... somos "viciados na sociedade", essa droga que antes ajudasse com algo, antes se mobilizasse, antes fizesse as pessoas REALMENTE felizes ao invés desses parcos flâmulos de alegria besta e entorpecedora (BBB e Luiza...).
É pessoal... a clima está deprimente. Tenho de admitir isso, me sinto insatisfeito com as coisas. Não quero quantidade de fatores de satisfação (internet, roupas, viagens.. enfim... possibilidades de realização pessoal por meio de bens, do consumo... filosofia amplamente divulgada, de forma direta e indireta, pelos amados pesquisadores, pensadores e operadores da Publicidade e Propaganda e Marketing) e sim qualidade... e noto que qualidade só existem em um lugar: pessoas.
Sim... é contraditório... pensar em fugir da sociedade e depois defender que a felicidade está nas pessoas. Simples reflexo dos tempos em que vivemos... confusão, liquidez... 
Pensando... e o faço enquanto digito isso aqui... creio que a alternativa mais sábia sejam as pessoas. Christopher Mccandless, ou Alexander Supertramp, em momento de epifania, quando de sua experiência na natureza, escrevera "the happiness is only real when shared" ... ou seja... precisamos dos outros, precisamos da sociedade para sermos felizes. Parece muito uma relação de irmãos em que a maioria das experiências são de conflito, briga - digo isso com base principalmente na minha relação com minha querida mana Taís - mas no fundo ambos se amam, querem muito o bem do outro... 
Acho que isso acalma um pouco a sensação de indignação... de inquietação... há um pacto tácito de aceitação ... algo que tangencia os limites da "sabedoria suprema"... algo que somente por seus "respingos" acalma... ilumina.
Sim... precisamos uns dos outros... independente de admirarem ou odiarem a Luiza do Canadá... a porra do BBB (sim eu odeio isso : P) e a insanidade que permeia nossos políticos e economistas. Por isso meus agradecimentos e pedidos de desculpas à sociedade... por tê-la acusado, por tê-la, talvez, ofendido. Foi um momento de instabilidade, de insegurança... de liquidez... tal como você, sociedade, o é.
Os problemas não possuem solução. Vamos continuar vendo essas "falhas da Matrix" tipo Luiza e Canadá ocorrerem volta e meia em nossa querida ágora virtual. Pessoas embebidas pela curiosidade, reflexo de nós psíquicos não resolvidos, espumando atenção, tais como cães raivosos, a cada Paredão... a grande lição talvez seja algo bem no sentido zen budista mesmo... ver tudo isso, entender, e não se deixar afetar. 
Claro que, isso não é "conformação" ... é "compreensão"... conformado, particularmente, nunca estarei... dia após dia penso... e sei que muitas outras pessoas também o fazem... em soluções... em vias... e, se algum dia as atingirmos, não hesitaremos em as concretizar. No entanto, até lá, resta essa condição de espectador / ator... em uma sociedade amada / odiada... parte verdade, parte mentira... que, tal como a natureza é constituída por opostos conflitantes e complementares, constitui uma complexa sinfonia dada somente aos mais sábios compreender!

^^
P.s.:

Welcome to the jungle!

 

  Hoje, 20.01.2012, inicio este blog. Tal como a "Luiza do Canadá" reputo ser este ato uma "falha da Matrix", pois quando acordei às 08:13 desta bela manhã de sol (com algumas nuvens... poucas nuvens) não tinha em mente dedicar energia e atenção à publicação de textos. 
  Tal fato se deve, fundamentalmente a um texto, que postarei em seguida, redigido no Facebook e que teve agradável recepção por parte de alguns amigos. Sugestões afloraram no sentido de que seria uma ideia promissora  a manutenção de um blog. Bom, "challenge accepted"!!! Vamos ver no que dá a coisa toda.

  Um ato que se pode fazer é definir balizadores temáticos para os textos aqui publicados. Fico feliz em perceber que isso não é necessário, visto a liberdade que existe na produção textual espontânea. Logo, apenas escreverei... em ritmo (de festa... : P) "que der na telha"...
  O título do blog pode sugerir algum balizador, ou seja, trata-se de um "theatro" (com th mesmo, pra ficar style... ou não... ) da "societatis" em que vivemos. Pelo que percebo do mundo tudo é a sociedade. Assim, o primeiro elemento da "fórmula", o sistema social, se justifica pelo fato de determinar muita coisa, e, nos tempos de hoje, as fronteiras entre a individualidade e a coletividade acabam sendo tão difusas que é praticamente impossível determinar onde começa e onde termina o "ser" e o "conviver". Hoje, "conviver" é "ser", sendo a recíproca verdadeira, obviamente. O segundo elemento, "teatral", se refere a uma ideia, que fora construída por uma amiga, KAREN MORBINI, de que "no passado se era pelo "ser", depois, "ser" passou a ser "ter" e hoje "ser" é "parecer". Transcendendo os limites do "ethos" consumista, a amistosa criaturinha percebeu que  hoje as pessoas não buscam sua realização tão só pelo possuir algo, e sim, pelo "parecer" algo. Constatação magnífica, na minha opinião.
  Quando se "parece" algo, podemos entender que a sociedade é um show teatral., algo fictício, mas que emociona, envolve, toca, tanto quanto a realidade. Choramos vendo um filme, ou sofrendo por um "amor perdido" (pretendo escrever alguns tópicos sobre amor... não que eu possua propriedade para tanto, enfim).
   Assim é a sociedade, uma encenação. Assumimos "papéis" - no sentido psicológico mesmo - e os desempenhamos. Somos estudantes, festeiros, estagiários, empregados, filhos, pais, cidadãos (é... cidadãos sim... desempenhando talvez o papel de "cidadão antagonista") ... cada um é um ser, diferente, em um espetáculo diferente, mas que compõe uma epopeia incrível. 
  Desse modo, temos um todo, um plano de fundo para o que aqui será apresentado. Faço votos de que seja útil e traga algo de positivo para os leitores que debruçarem sua atenção sobre os temas aqui propostos.

^^